Belém do Pará – “Esse rio é minha rua…”

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Tempo de leitura: 20 minutos – mas vale a pena e pode definir seu próximo destino 🙂

Quando se visita o Pará, essa música ganha cores e sentido, ficando guardada no coração.

Este foi o primeiro estado do norte do Brasil que conheci, e vivenciei uma experiência maravilhosa.

O Pará é muito grande, têm muitas cidades interessantes, mas distantes para se incluir em um roteiro de uma semana.

Desta vez Alter do Chão, Altamira, Santarém, e outras tantas ficaram de fora. Nosso roteiro compreendeu Belém e a Ilha do Marajó (que já contamos no blog).

Belém, a capital do Pará, é uma cidade muito bonita, com mais de 400 anos, marcada pela colonização europeia, que se observa nitidamente na arquitetura, e de um povo muito educado e acolhedor.

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Cidade Velha vista do alto, no mirante do Mangal das Garças

O paraense ama suas tradições e fica muito visível que certos costumes das outras regiões do Brasil não o atingem.

Isso se verifica muito fortemente na culinária.

Bem, a gastronomia no Pará é um dos grandes atrativos de uma viagem até lá.

Os pratos típicos, com ingredientes de origem local, costumes indígenas e amazônicos, fazem da comida paraense uma aventura para o turista.

Indo e ficando em Belém

Chegamos em Belém pelo aeroporto internacional Van de Cas.

De lá até um hotel na região central da cidade, a corrida de táxi tem preço tabelado. Fechamos o transfer no guichê da cooperativa de táxi (R$50,00 – ago./16) e chegamos tranquilos em nosso hotel.

No nosso roteiro, dormimos a primeira noite em Belém e no dia seguinte seguiríamos para a Ilha do Marajó. Assim escolhemos um hotel bem localizado e com indicação no Tripadvisor de melhor custo benefício. A opção foi o Belém Soft e atendeu bem para o que precisávamos.

Ao retornarmos da Ilha do Marajó, ficaríamos mais cinco dias em Belém, e “cacifamos” o Radisson. Ótima oportunidade de conhecer um hotel dessa famosa rede e pegar um preço justo. Nota dez na localização, atendimento, amenidades, tamanho do quarto. Voltaríamos com certeza.

Nos deslocamentos pela cidade, utilizamos bastante o serviço de táxi, pela recomendação dos próprios locais. Não havia o serviço Uber quando estivemos lá.

A maioria dos taxistas trabalha com bandeira, mas é bom perguntar antes se será bandeira ou preço fechado.

Em Belém, todos taxistas que pegamos foram educados e solícitos. Alguns chegamos, inclusive, a pegar o contato para solicitar corridas em situações específicas.

Fizemos alguns deslocamentos a pé, principalmente na região do Radisson, mas éramos sempre alertados a ter cautela e evitar andar na cidade em razão da segurança, situação essa que não é diferente em outras cidades do nosso país…

Passeios em Belém

Nosso primeiro passeio em Belém começou às 5 horas na manhã, no mercado do açaí, ao lado da feira Ver-o-Peso.

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Mercado do Açaí – já finalizando as vendas por volta das 05h30 da manhã

Chegamos no local quando o comércio já estava a todo vapor e pudemos perceber que quando amanhece as vendas já se encerraram.

A palmeira do açaí nasce nas várzeas em ilhas da Baía do Guajará. Tirados dos cachos para não ressecarem, os caroços são armazenados em paneiros, trazidos em barcos. A distribuição começa no início da madrugada e vai até o amanhecer.

 

Da feira, seguem para serem logo batidos e não perderem. Assim, in natura, os paraenses o consomem. Essa explicação nos foi dada por um amigo que fizemos em Belém, o Erick, que nos levou para conhecer alguns pontos do centro da cidade e acompanhar a chegada dos primeiros barcos com açaí, por volta das 23h.

Eu imaginava que encontraria casas de açaí por todos os lados da cidade e, de certa forma, é assim, mas muito diferente do que se tem no sudeste, por exemplo.

Primeiramente, descobrimos lá que a contaminação do açaí pelo barbeiro e consequente transmissor da doença de chagas é algo raro de acontecer. Para que o açaí esteja isento de tal possibilidade, basta ser lavado antes de ser batido nas máquinas próprias que extraem a polpa sem quebrar o carroço.

Existe um órgão da prefeitura responsável pela fiscalização das casas que vendem açaí, o qual disponibiliza na internet a lista dos locais aprovados para se comprar (http://www.agenciabelem.com.br/arquivos/estabelecimentos.pdf)

Outra particularidade foi que esses locais onde se vende açaí, comercializa-se a fruta batida para se levar e consumir em casa, prática comum dos paraenses. Nessas lojas geralmente não há espaço para se comer na hora.

Encontramos açaí para consumir em restaurantes, o qual podia ser pedido à la carte, ou estava na mesa do buffet, junto aos demais itens.

Já tinha ouvido falar que o paraense come açaí no almoço, junto com a comida.

Verifiquei que isso, em parte, é verdade. Há opções de pratos, como peixe frito, nos quais um dos acompanhamentos é o açaí.

Mas conversando com os paraenses vi que para a maioria o açaí é uma sobremesa, para se comer após a refeição. Porém, ele sempre será servido puro, com açúcar à parte para se adoçar a gosto, e farinha de tapioca, para se misturar na hora, conforme o gosto.

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Açaí como ele é no Pará

O sabor, sem misturas, é forte e bastante diferente do açaí congelado, batido com xarope de guaraná. Eu particularmente AMEI, e sinto muito saudade de quase não o encontrar com o sabor natural nos lugares onde vou.

Após desfrutar da feira do açaí, fomos andar pelo Mercado Ver-o-Peso, uma das feiras ao ar livre mais sensacionais que já fui.

Tomamos café com tapioca, passeamos pela parte de artesanato, comidas típicas, garrafadas, frutas, verduras. Um misto de cheiros, cores e formas que enchem os olhos.

Um local onde se sente o que é o Pará, o que é o Brasil.

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Mercado Ver-o-Peso, Mercado do Peixe e do Açaí

Dali, andando, seguimos para o Forte do Presépio, passando em frente à Catedral da Sé.

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Catedral da Sé
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Forte do Presépio e ruas ao redor

Após andar bastante e já cansados da maratona que começou super cedo, voltamos para o hotel para descansar e curtir o conforto do ar condicionado no horário mais quente do dia 😉

 

Visitamos o Theatro da Paz assistindo uma ópera no local. Costumamos ver quais espetáculos estarão acontecendo na cidade e, havendo algum de interesse, conjugamos a oportunidade de conhecer um ponto turístico e apreciar um bom show.

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Ópera no Theatro da Paz – música de qualidade em local histórico

Outra visita obrigatória é ir à Estação das Docas. O espaço virou um complexo turístico, onde se encontram, dentre outros, uma das lojas do famoso sorvete Cairu e o bar da Amazon Beer (cerveja paraense artesanal), restaurantes, além da bela vista da orla de Belém.

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Estação das Docas
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Sorvete Cairu – um patrimônio do Pará

Dali saem passeios de barco, com várias opções de itinerários e atividades. Verifique a programação pelo site www.valeverdeturismo.com.br

Escolhemos o passeio do fim de tarde, vendo o pôr-do-sol do barco, a ilha do Combu de longe, e ainda curtindo um pouco da dança típica local, o Carimbó. Vale super a pena.

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Seguindo de barco, fim de tarde, orla de Belém

Outro passeio muito bom foi conhecer o Pólo Joalheiro São José Liberto. O antigo presídio da cidade deu lugar a este espaço que mescla museu de gemas, com exposição de pedras preciosas, artesanato, lojas de jóias.

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Pólo Joalheiro José Liberto – antiga penitenciária

Nosso último passeio na cidade (e ainda ficaram locais para se conhecer) foi o Mangal das Garças. Almoçamos no renomado restaurante Manjar das Garças e passamos a tarde vendo a fauna e flora do mangue. Há observatório onde se tem bela vista da cidade, lagos, pássaros da região livres, para se ver de perto e se encantar.

A culinária do Pará

Bem, como disse, a gastronomia do Pará merece um capítulo à parte.

Acredito que a grande maioria dos turistas poderá comer algo que nunca experimentaram antes.

Jambu, tucupi, tacacá, maniçoba, açaí, taperebá, bacuri, cupuaçu, filhote, caranguejo…

Ahhh, experimentamos um pouco de tudo para sentir o que é o Pará.

Lembro de quando chegava em um restaurante e perguntava quais sucos de fruta havia, e o garçom gentilmente tecer uma lista de nomes que eu nunca tinha ouvido falar ou experimentara.

Bem, para se degustar algumas das delícias, indicamos as seguintes casas que tivemos o privilégio de conhecer:

Portinha – rua Dr. Malcher, 436, esq. com Gurupá – Essa lanchonete fica escondidinha entre uma das ruas da cidade velha, e ali são vendidos salgados deliciosos, feitos com ingredientes locais, além de pratos tradicionais, como vatapá e maniçoba. Também tinha opções de doces. Gostamos demais e ali fizemos amigos, que nos ajudaram ao longo da viagem. Obrigada Erick, Michele e Wanda!! Foi demais conhecer vocês!!

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Salgados com recheios típicos na Portinha

Lá em casa – Estação das Docas – Fomos almoçar neste restaurante e tinha a opção de pagar um preço fixo e desfrutar do buffet. Ali comemos o famoso pato no tucupi – o melhor que comi na viagem –, além de outros pratos típicos do Pará e, é claro, açaí.

Manjar das Garças – Mangal das Garças – Também fomos para o almoço e encontramos a mesma opção de preço fixo e buffet livre. O ambiente é lindo e a comida bastante saborosa. Destaque para os doces servidos, incluídos no buffet, muitos feitos com frutas locais. A torta de bacuri estava impecável.

Santa Orgânica – Av. Gentil Bitencourt, 1575 – São Brás – Encontramos esse restaurante por indicações do Tripadvisor e nos agradou bastante. Comida orgânica, nutritiva, com muitas opções para vegetarianos. A casa também funciona à noite. O local é muito agradável e o atendimento cortês.

Santa Orgânica

Tacacá da d. Maria – Avenida de Nazaré, altura n. 902, Nazaré – Próximo à igreja de Nazaré, na calçada da avenida, fica esta barraca, cuja proprietária, a famosa d. Maria, já não está entre nós, mas seu legado continua. O local abre por volta das 17h e ali é possível experimentar um dos tacacás mais famosos da cidade. Como é o tacacá? Uma mistura que não dá para descrever e foi o prato que mais me fez sentir o poder do jambu – a famosa erva que adormece a boca. Numa próxima oportunidade, acho que pediria para colocar menos jambu, pois o sabor, para quem não tem costume, é bastante pronunciado. Mas tomaria o tacacá novamente, com certeza. Foi uma experiência surpreendente.

Porpino Burger – Jerônimo Pimentel, 242, esquina com Wandenkolk – Hambúrguer é comida que se encontra em quase todo lugar, e visitamos essa casa por se tratar do lugar mais bem votado no Tripadvisor na época em que estivemos em Belém. Para quem gosta, o hambúrguer é realmente ótimo, atendimento muito bom. A fila de espera era grande, devido ao sucesso da casa.

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Batatas fritas e sucos deliciosos do Porpino Burger

Tia Maria Doceria – Achado na Travessa Benjamin Constant, n. 1337, essa confeitaria de linda arquitetura e bela decoração, tem opções de lanches e doces maravilhosos. Destaque para os salgados, massa fininha, crocante e com muito recheio. Aqui encontramos a famosa unha de caranguejo, deliciosa!!! O atendimento também foi muito cortês.

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Aconchego e beleza da Tia Maria Doceria

Lambretta 62 – Avenida Beira-Mar, 62, Praia do Chapéu Virado – Mosqueiro. Nosso amigos paraenses nos levaram até Mosqueiro – 70 Km do centro de Belém – e ali conhecemos esse famoso distrito de Belém, que é uma ilha fluvial, localizada na costa oriental do rio Pará, um braço sul do rio Amazonas, em frente à baía do Marajó. Além de bonitas praias de água doce, tivemos o privilégio de comer peixes deliciosos e a fantástica unha de caranguejo na companhia de amigos inesquecíveis. No retorno, ainda paramos para tomar um sorvete da Cairu…

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Peixes deliciosos no restaurante Lambretta 62 – Mosqueiro

Fazendo esse relato me deu uma saudade enorme de tudo que vi e conheci em Belém e uma grande vontade de voltar.

Nessa viagem não levamos nossos filhos e no futuro espero viajar com eles para rever essa preciosidade do norte do Brasil.

O norte brasileiro deve ser incluído na lista de lugares para se conhecer. Nossa ida ao Pará concretizou um sonho e aumentou nossa vontade de visitar outros estados da região.

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Praia de rio – Virada do Chapéu – Mosqueiro

Uma opinião sobre “Belém do Pará – “Esse rio é minha rua…”

  • dezembro 9, 2016 em 6:52 pm
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    Belo texto. Parece que foi produzido por uma paraense rss. Foi ótima a companhia de vocês. Voltem logo que temos outros lugares a visitar na rica região amazônica.
    Beijos sabor saudades, no coração de todos.

    Resposta
    • dezembro 12, 2016 em 6:10 pm
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      Obrigada Erick pelo carinho! Conhecê-lo foi um privilégio! Esperamos voltar e recebê-lo em Minas! Abraços!!

      Resposta

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