O que fazer na Ilha do Marajó

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Escolher o que fazer em um passeio determina muito o que se pode extrair dele.

Planejamos nosso roteiro com antecedência, pesquisando muito pela internet.

Para começar a pensar no que fazer na Ilha do Marajó, deve-se ter em conta que Soure e Salvaterra são apenas duas das doze cidades que ali se localizam.

Na verdade, a maior cidade da ilha é Breves, com cerca de cem mil habitantes.

No nosso roteiro, optamos por nos hospedar em Soure.Ficamos lá dois dias, os quais nos informamos serem suficientes para se conhecer o básico da região. Com tempo, vontade de desbravar e querendo descansar no local, três dias podem ser uma melhor pedida.

Lá, dos passeios obrigatórios para se conhecer melhor a região, existem as visitas às praias de rio e às fazendas de búfalos.

Em dois dias, é possível fazer um passeio pelo manhã, o outro à tarde, e reservar uma parte do outro dia para conhecer Salvaterra.

A escolha é muito pessoal.

Cada praia tem sua beleza, algumas com certa estrutura, outras mais desertas.

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Praia do Pesqueiro

As fazendas, por sua vez, também têm passeios que atendem a diferentes tipos de interesses.

Visitamos uma das praias, a do Pesqueiro, com um mototaxista que contratamos na terceira avenida. Fechamos ida e volta com ele, marcando horário para nos buscar, já que, especialmente em baixa temporada, não havia outros mototaxistas na praia para fazerem o retorno.

Ali, andamos um pouco, apreciando o rio, a vegetação local. Almoçamos em uma das barracas de praia, onde comemos filhote frito com acompanhamentos.

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Almoço na Praia do Pesqueiro

Quanto às fazendas, as três mais visitadas são Fazenda São Gerônimo, Fazenda Bom Jesus e Fazenda Araruna.

Grande parte dos turistas opta pela primeira, que já foi cenário de um reality show. Nela existe um cronograma no qual se conhece um pouco de tudo que representa a região: andar de búfalo, ir a um mangue, ver uma praia de rio.

Já a Fazenda Araruna é a menos escolhida, pelo que percebemos. Conhecemos um hóspede em nossa pousada que a visitou e não gostou muito. Não tivemos a oportunidade de ir para tirar nossas conclusões.

Escolhemos a Fazenda Bom Jesus, porque queríamos um contato maior com a natureza, com uma observação mais detalhada da região.

Contratamos o guia Jedilson [jediguia@hotmail.com (91) 83425034], um grande conhecedor da biodiversidade local. Na fazenda Bom Jesus a visita só é permitida com guias, mediante prévio agendamento.

Agendamos tudo por email e também contato via whatsapp. No dia e horário combinado, Jedilson nos buscou na pousada e levou até a Fazenda. Lá, além de ver de perto os búfalos, poder tirar fotos, existem trilhas a serem feitas caminhando ou com carro, nas quais se passeia pelos alagados, oportunidade de ver a rica fauna da região. Jedilson nos ensinou muito sobre o local e, no final do passeio, havia um lanche gostoso com itens típicos marajoaras.

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Búfalos pastando livres nos alagados da Fazenda Bom Jesus

Gostei muito desse passeio por alguns motivos. Primeiro, não há um roteiro preestabelecido, vivenciando-se a experiência do local conforme o tempo permitir (a chuva pode interferir na dinâmica, mas é possível encontrar jacarés e outros animais, além de se observar lindas revoadas de pássaros, dependendo da época do ano).

Em segundo lugar, hoje temos uma visão diferente quanto ao uso dos animais em passeios, achando melhor contemplá-los em seu habitat, sem exploração.

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Visual dos alagados

Em terceiro e não último lugar, foi a orientação do guia Jedilson, muito atencioso e rico em ensinamentos sobre a região, a natureza e seus encantos.

Quanto a Salvaterra, confesso que esperava um pouco mais do local. Ficamos poucas horas e vimos as ruínas de Joanes, que ficam distantes do centro da cidade, sendo necessário ir de moto ou carro. Além disso, o local tem apenas uma pequena parte das ruínas de uma antiga igreja jesuíta, do século XVIII, nada além do que se vê nas fotos na internet. Vimos muita sujeira nas cercanias. Há sensação de abandono do patrimônio público, o qual tem potencial para ser melhor explorado.

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Ruínas em Joanes, Salvaterra

Visitamos também uma praia de rio em Salvaterra, mas brevemente.

No mais, caminhamos em Soure em algumas oportunidades, observando a vegetação local e a população.

A Ilha do Marajó, como disse anteriormente, tem uma beleza que precisa ser buscada, e merece ser preservada.

Por fim, acho importante falar que nessa viagem não levamos nossos filhos. Depois de estar ali, continuo com a ideia de que se trata de um passeio mais adequado para crianças um pouco maiores, com mais de cinco anos. Mas ressalto que, fora os passeios citados, não há outros entretenimentos para os pequenos.

Observação: leve dinheiro em espécie. Alguns estabelecimentos não aceitam cartão e, nos que aceitam, o sinal da internet pode cair, inviabilizando os meios eletrônicos.

Andrea Santos – @dedonomapa

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